A Quinta Slow de Junho
Textos: Darlana Godoi e Katia Gonzaga.
Fotos: Bey Ayres da Silva e Roberta Sá
Darlana conta sua experiência:
Sempre gostei de cozinhar, desde muito menina subia em um tamborete e ficava mexendo as panelas da casa da minha avó. Cozinhar para mim sempre foi mágica…Era transformar um monte de coisas em outras coisas bem gostosas…
Mas descobri que mais gostoso que cozinhar era cozinhar para outras pessoas comerem…Ver a transformação no rosto das pessoas quando comem minha comida, ver no rosto delas a sensação de prazer ao comer uma comida feita com amor é indescritível. Descobri que isso era o complemento perfeito para o ato de cozinhar. Sempre cozinhei para meus amigos e para a família. Nunca havia cozinhado para muita gente em uma cozinha de restaurante.
A experiência teve inicio desde o dia em que me ofereci para ser a Chef Slow de Junho. Estava na Quinta Slow de Abril com uma amiga do trabalho e ela botou pilha de que poderíamos cozinhar juntas. Aceitei a proposta e me ofereci para junho, pois é o mês do meu aniversário.
Todos os anos no meu aniversário tinha festa junina, muito milho, pamonha, paçoca, pé de moleque… Então aprendi, não só a gostar, mas, como toda goiana do pé rachado, aprendi a cozinhar estes pratos.
Ao pensar no que cozinhar e conversando com minha companheira decidimos por pratos a base de milho, me lembrei então de um prato que sempre gostei de fazer que é a Chica Doida. A Chica Doida é um prato muito tradicional no estado em que nasci, tem até uma festa da Chica Doida que acontece anualmente em Quirinópolis , interior do estado de Goiás. Ela é Doida pois pode ser feita com um monte de coisas…Linguiça, frango, carne de porco, queijo, jiló, pequi, etc…Ah e ela também é doida porque leva muitaaaaa pimenta…
A Kátia resolveu fazer de entrada um delicioso cuscuz de legumes que agradaria nossos amigos vegetarianos e os não vegetarianos. A sobremesa queríamos bem simples, mas deliciosa e por isso decidimos por um doce de abobora que é feito na panela de pressão. Sem complicação.
Compilamos a receita e fomos conversar com o Gudrin, proprietário do Panelinha, nos acompanhou nesta visita a nossa querida Cristina. Como sempre o Gudrin nos recebeu muito bem e conseguimos fechar nosso cardápio.
Entrei em contato com a Tainá da Chácara Colina que ficou muito feliz em nos ajudar a compor nossos pratos e nos deu mais algumas idéias, como acrescentar o shitaki ao cuscuz e o doce de mamão para a sobremesa. Além disso, ela aceitou expor alguns de seus maravilhosos produtos no nosso evento, além de fornecer boa parte dos ingredientes para a preparação dos pratos.
No sábado voltamos ao restaurante para fechar a compra dos ingredientes. Mais uma vez o Gudrin nos recebeu, eu e a Tainá, com muito carinho e ainda nos ofereceu um escondidinho dos deuses! Fechamos tudo e então era só esperar o Grande dia. E ele chegou.
Eu acordei com borboletas no estômago… Até passei um pouco mal de tanta ansiedade. Às quatro da tarde saímos , eu e a Kátia, do trabalho e nos dirigimos ao palco da nossa performance culinária. Chegamos um pouco acanhadas, cozinha alheia sempre intimida, mas o Chef Isaias nos recebeu muito bem.
Mãos a obra, não me lembro muito bem o que aconteceu na cozinha, só sei que começamos a trabalhar e quando nos demos conta as pessoas já estavam chegando e pedindo as entradas. A Roberta entrou na cozinha tirou fotos, o Bey também e depois meu amigo querido Bernardo também nos fotografou cozinhando. Só sei que os pratos foram saindo, um após o outro e algumas pessoas passavam pela cozinha para nos elogiar e ficávamos bem orgulhosas… Consegui dar uma voltinha pelo salão quando já estávamos terminando de servir a sobremesa e fiquei deliciada de encontrar tantos bons amigos ali. E as pessoas pareciam ter gostado mesmo do que cozinhamos!
Como é gostosa essa sensação, sensação de dever cumprido, as pessoas alimentadas com a comida que fizemos e dizendo-se satisfeitas. Não há palavras para explicar o que senti naquele momento.
A exposição da Tainá ficou linda, aquelas frutas, folhas, legumes maravilhosos em uma mesinha estavam muito apetitosos. Fomos filmados, fotografados, teve gente que veio de Fortaleza e Manaus para participar do nosso jantar! Foi tudo lindo. Quando cheguei em casa apesar do braço doendo de tanto mexer a massa da Chica Doida, dormi um sono gostoso de quem está muito muito feliz!
Obrigada Kátia por me acompanhar nessa empreitada! Obrigada Roberta pelo convite! E obrigada Gudrin e Chef Isaías por nos emprestar essa cozinha maravilhosa como palco para nosso espetáculo. Mas obrigada principalmente a todos que compareceram, comeram nossa comidinha, que foi feita com muito amor. Amor este que é o principal tempero para cada refeição compartilhada com os amigos queridos!
Katia conta sua experiência:
Minha história com a cozinha se confunde em muitos aspectos com a de minha companheira da Quinta Slow.
Iniciei na arte culinária aos seis anos de idade, já que minha mãe trabalhava fora de casa e nós não gostávamos da comida de nossa secretária. Ia até a casa de minha avó paterna, anotava as receitas (me alfabetizei aos cinco anos) e voltava para casa com o propósito de produzi-las. Com muita ousadia, acrescentava ou tirava ingredientes, experimentando meus ensaios. Muitos acertos, mas com certeza muitos erros… Mas mesmo esses últimos não me desanimaram. O prazer dos acertos e dos conseqüentes elogios me impulsionavam cada vez mais no desejo de continuar….
Como Darlana afirma: cozinhar é um prazer mágico. Eu e meu marido adoramos receber nossos amigos e familiares para experimentar nossos quitutes culinários. E como estou por uma temporada em Brasília (moro no Rio de Janeiro), sem cozinha equipada, vivenciar essa experiência no Restaurante Panelinha foi tudo de bom!
Agradeço muito a parceria da Darlana, do Slow Food Cerrado e de todos os funcionários do Restaurante Panelinha, que nos acolheram e ajudaram. E é claro, de todos que apareceram para degustarem nossos pratos. Vocês foram o grande motivo de estarmos, por um dia, como Slow Chefs da Vez.
Em tempo: agradecemos também a Tainá da Chácara Colina que generosamente cedeu produtos orgânicos de grande qualidade enobrecendo nossas receitas. Valeu a rica experiência.
As fotos do Bey e da Roberta:



















